|
As baleias francas (nome científico = Eubalaena australis) podem atingir mais de 17 metros de comprimento nas fêmeas e pouco menos nos machos, pesando mais de 45 toneladas. Apresentam corpo negro e arredondado, sem nadadeira dorsal, e a cabeça ocupa quase um terço do comprimento total. O ventre apresenta manchas brancas irregulares. A característica morfológica marcante da espécie é o conjunto de calosidades ou “verrugas” que apresentam no alto e nas laterais da cabeça. O “borrifo” das baleias Franca é bastante característico, em forma de “V”, resultante do ar aquecido expelido muito rapidamente durante a respiração. A altura do esguicho pode atingir de 5 a 8 metros, sendo mais visível em dias frios e com pouco vento. A alimentação das baleias Franca ocorre basicamente durante o verão na Antártida, através da "filtração" do alimento encontrado na superfície capturando pequenos crustáceos como o krill (organismo semelhante ao camarão). No final do verão, as baleias Franca deixam as áreas de alimentação nas latitudes mais frias e buscam as regiões costeiras do litoral centro-sul catarinense onde permanecem durante o inverno e primavera para parir e amamentar seus filhotes. A gestação da espécie dura em torno de 12 meses. A maturidade sexual dos machos é alcançada aproximadamente aos 6 anos, e das fêmeas aos 9 anos. Os filhotes nascem normalmente entre junho e dezembro, já com cerca de 5 metros de comprimento e pesando entre 4 e 5 toneladas; nas primeiras semanas de vida o filhote pode adquirir cerca de 50 Kg/dia de peso, graças ao leite rico em gordura proporcionado pela mãe. Em média, as fêmeas têm um filhote a cada 3 anos. Os mergulhos mais demorados observados na espécie estão em torno de 20 minutos. As velocidades de deslocamento variam entre 5 a 12 Km/h.
Em função de suas características naturais singulares: natação lenta, temperamento pacífico e o hábito de se aproximarem a distâncias notavelmente pequenas da costa (até cerca de 30 metros das praias no Sul do Brasil) durante seu período reprodutivo, a baleia franca teve na caça a razão de seu quase desaparecimento. Desde o período do Brasil-Colônia, mais especificamente a partir da segunda metade do Século XVII, as baleias francas sustentaram a economia dos povoados costeiros do Brasil que cresciam no entorno das Armações, ou estações baleeiras. A última estação baleeira a matar uma baleia franca em águas brasileiras fechou suas portas somente em 1973, após arpoar um único animal naquela temporada; daí em diante, as baleias francas foram consideradas extintas no Brasil e por quase uma década não mais houveram quaisquer relatos de sua presença efetiva em nossas águas.
Em 1981, relatos não confirmados de pescadores no sentido de que uma baleia “grande e preta” estaria sendo vista no Sul do Brasil chamaram a atenção. Foi então criado em 1982 o Projeto Baleia Franca com a finalidade de desenvolver a pesquisa e o monitoramento da população remanescente de baleias e promover a educação e a conscientização do público sobre a necessidade de se proteger estes animais inofensivos e tão ameaçados. O Projeto pleiteado pelo vice-almirante Ibsen de Gusmão Câmara e pelo naturalista José Truda Palazzo Jr, que juntamente com outros ambientalistas lideraram a implantação do Projeto Baleia Franca, simbolizou o inicio de uma batalha pela preservação e recuperação que tornou-se um marco internacional na defesa pela natureza. O município de Imbituba, ciente de sua ligação histórica com o destino desses animais, tornou-se parceiro dessa luta e vem apoiando firmemente as ações de pesquisa e conservação desenvolvidas pelo Projeto Baleia Franca.
No dia 5 de Junho de 1995 (Dia Mundial do Meio Ambiente), o Governador do Estado de Santa Catarina, assinou Decreto Estadual declarando a Baleia Franca como Monumento Natural do Estado, reforçando assim sua proteção e o envolvimento das autoridades estaduais na sua valorização enquanto patrimônio a ser preservado.
Hoje a segurança das baleias francas é garantida pela Lei Federal n°7643187 e pela Portaria do IBAMA n°117/96 que estabelecem normas estritas para evitar a perturbação das baleias e golfinhos em seu ambiente natural. Ainda, com o objetivo de proteger as baleias Franca e todo o ecossistema em sua principal área de concentração reprodutiva no litoral sul do Brasil, em 14 de setembro de 2000 foi criada, por Decreto Federal, a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, abrangendo 156.100 hectares e cerca de 130 Km de costa, águas adjacentes e conjuntos de dunas, praias, promontórios e lagoas entre o sul de Florianópolis e o Balneário do Rincão, ao sul do Cabo de Santa Marta. Observar um animal selvagem em seu próprio habitat é uma ramificação crescente do ecoturismo e em valores educacionais isto é uma oportunidade perfeita para se transmitir não só informações sobre a espécie de baleia observada, mas sim noções sobre o ecossistema da região e informações históricas.
Nos últimos anos, a população de baleias tem aumentado e, com isso, Imbituba está se tornando um dos principais destinos ecoturísticos do Brasil, com fluxo crescente de visitantes do país e exterior. Este fator está diretamente relacionado com as mudanças na legislação ambiental, que agora prevê proteção total desses animais, e pelo cuidado da comunidade que com elas convivem na costa catarinense.
O "whalewatching', turismo de observação de baleias e golfinhos, vem sendo desenvolvido mundialmente trazendo benefícios para todas as camadas das comunidades onde é praticado. No litoral centro-sul catarinense a presença de baleias francas durante julho a novembro permite avistagem de pares de fêmeas e filhotes nas praias da região. O "whale watching" é praticado em 65 países despertando de uma nova maneira o interesse do público em geral para a conservação da natureza.
Os passeios são realizados em uma embarcação inflável com capacidade para 20 passageiros, duram cerca de 1H e 30 Min (dependendo da localização das baleias) e permitem avistar as baleias Franca em seu ambiente natural. Seguindo a Legislação Brasileira de Proteção aos Cetáceos e com a orientação de um monitor do Instituto Baleia Franca, a atividade aponta aos visitantes informações sobre biologia, comportamento, importância histórica e necessidades de conservação da espécie. Entretanto a avistagem de baleias, assim como qualquer observação de animais selvagens em seu próprio habitat, é imprevisível. Por isso é necessário ao visitante estar ciente da possibilidade da não avistagem das baleias durante o passeio, evitando assim um desapontamento da atividade com a operadora de turismo. O passeio, ainda, está sujeito aos fatores ambientais sendo suspenso frente as condições climáticas insatisfatórias.
Visando a sustentabilidade do “whalewatching”, a atividade é constantemente monitorada, para que não ocorram atitudes impróprias em relação aos animais. O cumprimento das normas apropriadas e a assessoria científica são fundamentais para que se possa assegurar a futuros visitantes a mesma experiência inesquecível ao avistar uma baleia de perto pela primeira vez, sem que elas tenham que fugir à nossa curiosidade e admiração.
Instituto Baleia Franca Estrada Geral do Rosa s/nº - Imbituba/ SC CEP: 88.780-000 Telefone: (48) 3355-6111 Site: www.institutobaleiafranca.org E-mail: ilitman@terra.com.br
Projeto Baleia Franca Coalizão Internacional da Vida Silvestre – IWC/BRASIL Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca Av. Atlântica, s/n, Itapirubá – Caixa Postal 201 – 88780-970 Imbituba – SC Fones (48)3255.2922 www.baleiafranca.org.br info@baleiafranca.org.br
Fonte: Santur.
|
|